terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pela proporcionalidade no poder Executivo, no Legislativo e eleição no Judiciário.

O tema apresentado retoma o debate, o papel e a concepção de Estado, seu significado e sua existência ao longo da sua construção e dos interesses da classe dominante nesse processo histórico.
Se de um lado o trabalho expressa seu caráter fundante, revolucionário e transformador, o Estado como tal, expressa no seu surgimento os interesses de uma classe que se apropriou dos bens produzidos, colocando-os a serviço da dominação econômica, cultural e política ao longo da história da sociedade.
A disputa pelo governo e pelo poder político é inerente a atividade humana que além do seu itinerário histórico, nos dias atuais obedece a uma cronologia, por ocasião das eleições a cada dois anos. Esse processo exige uma tomada de posição e nos impõe repensarmos a atual forma de representação do executivo, do legislativo e do judiciário.
Evidentemente que em casos excepcionais, a disputa contra  governos, particularmente, os déspotas, se expressam nas ruas e nas lutas revolucionárias ou até mesmo em ações de enfrentamento de caráter sindical, popular, estudantil e partidário, com desdobramentos muitas vezes imprevisíveis para o poder burguês.
As experiências e a convivência no âmbito sindical, estudantil e partidário têm demonstrado que a composição política mediante a representação pelo voto direto dos delegados, associados ou filiados, qualifica o debate e assegura a representação proporcional das forças reais existentes no interior das entidades em questão.
No âmbito do executivo e do legislativo, a sociedade precisa dar um passo à frente, acabando com o aliciamento político, com o farto balcão de negócio, com o desrespeito ao eleitor, bem como com a fragilidade das instituições partidárias do país.
Nesse sentido, com a eleição direta para prefeito, governador e presidência da república, a composição governamental deve obedecer à representatividade proporcional direta que cada partido político obteve no correspondente pleito eleitoral.
A votação nominal do cargo majoritário serve para definir o nome do prefeito, do governador e do presidente da república; porém, devemos buscar o fortalecimento dos partidos em detrimento de projetos pessoais e vícios que personificam as ações de interesse coletivo .
Com essa atitude, teríamos uma gestão compartilhada, democraticamente representada, politicamente correta, onde os eleitores poderiam acompanhar e cobrar dos seus respectivos partidos as propostas de campanha, uma vez que no limite, quem paga toda essa “governança” é o eleitor e a população contribuinte através de inúmeros tributos .
        Numa gestão onde todos participam em pé de igualdade e representatividade, a possibilidade de errar é menor.
Ao manter a atual estrutura de “quem ganhou levou”, ocorre a distorção hoje existente, onde o candidato derrotado “deve se render” à máquina político-administrativa que passa a ser controlado por uma única força, cuja diferença numérica, é pouco superior ao montante dos votos obtido pelas demais forças, e até mesmo  é inferior  ao conjunto da somatória das demais votações, como  os votos  brancos e nulos, que também é uma forma política de se  manifestar.
A implementação da proporcionalidade direta levaria a uma ação de permanente vitalidade das máquinas administrativas, onde todos serão co-responsabilizados e a disputa se daria no legítimo exercício do poder compartilhado, sem exclusão e sem a marginalização das idéias programáticas dos respectivos partidos  que participaram do pleito eleitoral .
O prefeito será o candidato que obtiver a maior votação nominal e da legenda ou coligação efetuada, assim como o governador e o presidente da república.
A proporcionalidade se aplicará a estrutura funcional do Executivo (secretarias, coordenadorias, administrações regionais, subprefeituras, autarquias ou estruturas similares e, também, em toda representação de cargos comissionados existentes ou que venha a existir).
Na seara legislativa, essa regra deverá também ser aplicada no sentido de assegurar ainda mais a representatividade dos partidos políticos, sem a barreira do quociente eleitoral hoje existente. O cálculo se dará pela somatória dos votos conquistados pelo partido, e o voto nominal no candidato a vereador (a), e a deputado (a).
Com essa simples medida, evitaríamos a cooptação pela via financeira hoje existente, asseguraríamos a legitimidade e o fortalecimento dos partidos, ao mesmo tempo, todos comporiam coletivamente uma estrutura administrativa, onde haveria transparência, autonomia, liberdade e co-responsabilidade na busca do bem comum.
Complementarmente, defendemos intransigentemente o financiamento público das campanhas, para que o investimento financeiro do setor patronal e a corrupção generalizada sejam imediatamente debelados.
Em relação ao Judiciário, defendemos a eleição direta, até porque a própria constituição diz que “todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido” Na prática, o poder  judiciário concentra mais poderes do que os outros segmentos da sociedade organizada. O Processo em curso na Bolívia deve ser observado e implementado, pois o voto popular é a única forma de acabar com esse poder monolítico, pois, com a democratização do judiciário, não ficaríamos submetidos à indicação do poder executivo, muito menos na mão do carcomido corporativismo hoje existente..
Do rei-filósofo em Platão, que deve governar a Cidade, do ser ético da política em Aristóteles, do direito divino de governar em Agostinho, no período  medieval, da brilhante contribuição de Maquiavel, onde, para ele a política tinha como objetivo a manutenção do poder, da teoria do direito divino dos reis em Jean Bodin, passando pelo Leviatã em Hobbes, da concepção do Estado liberal em John Locke,da divisão dos três  poderes em Montesquieu, além do Pacto Social em Rousseau, todos representam a linhagem afirmativa e evolutiva do poder existente ao longo da história da filosofia política.
Posicionando-se contra os  argumentos dos autores acima citados, Marx e Engels vão afirmar que o Estado nem sempre existiu, e, portanto, deve ser destruído, pois ele nasce, cresce e se estabelece fundado no projeto econômico da desigualdade, para manter a  abominável dominação de classe.Cabe ao pensador, ao militante, ao político, ao operário e ao estudantes  transformar o mundo e não  contemplá-lo como tal.
Diante da possibilidade concreta em destruir o estado Burguês capitalista temos duas possibilidades objetivas: podemos simplesmente negá-lo tão somente sem efeito prático nas reformas e mudanças cotidianas até que cheguemos ao modelo idealizado, ou, continuar participando com as regras estabelecidas pelo Estado Burguês, questionando-as e alterando-as até que tenhamos a devida correlação de força para a sua definitiva destruição e superação da barbárie do capital
Portanto, devemos construir a nossa antítese de classe, com ações dentro e fora dos espaços institucionais, até a sua efetiva superação institucional, em busca de uma nova síntese revolucionaria- Socialista.
Esse modelo seria transitório até alcançarmos uma nova estruturação e superação do sistema capitalista, construindo então um novo porvir histórico.

-Pela proporcionalidade direta no Executivo, no legislativo e eleição no judiciário.

Aldo Santos, ex-vereador SBC, Coordenador da apeoesp-sbc ,Presidente da Associação dos professores de filosofia e filósofos do Estado de São Paulo, Membro do Coletivo Nacional de Filosofia  e da Executiva Nacional do Psol.
  
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A vocação de educar

Carlos Rodriguez Brandão
algumas palavras sobre o exercício do trabalhador da educação
Os sinais de vida estariam por toda a parte.
Semeados entre a vida e a morte e de novo a vida, eles estariam por toda a parte.
Existiriam já então as flores. Ásperas, duras flores de um tempo anterior ao nosso.
Já então, muitos milênios antes, a forma multiforme da vida teria trazido das águas moventes para o chão de terras as sementes desses ancestrais. Seres da vida entre o azul, e o lilás, o vermelho e o amarelo.
Os grandes sáurios teriam desaparecido e, então, entre outros animais de grande porte o pequenino beija flor corria entre cores e odores fecundando a vida.
Então os seres de que nós viemos baixaram das árvores e aos poucos, a custa de um enorme esforço, ergueram-se sobre as partes de trás e olharam de frente o horizonte. Como os bichos que caçam, eles tinham os seus olhos na face do rosto. Mas, de uma maneira diferente, só eles aprenderam a ver uma mesma fiel imagem com os dois olhos. Perderam os instintos da onça, mas aprenderam a prestar mais atenção do que os anjos.
Ao cabo de outros muitos milênios terão reservado as mãos para ofícios até então desconhecidos, e terão aprendido, seres de quatro patas, de pé sobre apenas duas, uma rara, nova e única postura do corpo.
E entre os dedos o polegar veio a opor-se aos outro dedos. E pela primeira vez a vida gerou uma mão tão sábia quanto a mente que haveria de criar através dela.Uma mão esquecida de andar carregando o corpo, como entre os macacos. Uma mão sutil e interrogativa, para que houvessem os toques do amor , ciência e da arte.
E a arquitetura da boca perdeu aos poucos a ferocidade carnívora e se preparou para o milagre da fala.
Em um ser que anda de pé, que olha com curiosidade, atenção e sabedoria, que conquistou a liberdade dos gestos, primeiro das mãos e, depois, os da fala através dos sinais sonoros dos símbolos, estava aberto o caminho para a atenção concentrada, o olhar inteligente e o gesto sem igual do pensamento.
Um pequeno cérebro no começo igual ao dos seres seus primos: os gorilas, os orangotangos, os gibões e os chipanzés, cresceu, aumentou muito e se tornou complexo e diferenciado. E foram preciso outros milhões de anos para que este lugar do pensamento e da imaginação aprendesse a pensar, a saber e a se pensar, a se saber pensando e a se pensar sabendo. E a se sentir sabendo e a se pensar sentindo. Pois ali foram nascendo, como flores de vida eterna: a memória, o sentimento do futuro, o desejo de troca com o outro, o temor antecipado de morte, a devoção, o afeto temperado pelo pensamento e o ato de pensar tornado reflexão. Um dia Gaston Bachelard diria: estou só, logo somos quatro. E somos mais, pois cada um pode vir a ser a fronteira do infinito.
A vida, consciente de si em qualquer ser-da-vida, torna-se enfim conhecedora de sua própria consciência. Ela passa de uma consciência reflexa a uma consciência reflexiva. Ela salta do sinal ao signo e do signo ao símbolo. Ela cria a cultura, esse modo natural de ser humano. À Criatura que finalmente emerge do som ao sentido, e do sentido ao significado; E cria a palavra e estabelece o primado da comunicação de sentimentos através de símbolos culturais do viver e do sentir.
Daí viemos, e disto somos.
IAvós e netos no meio da noite
Como teria sido a noite talvez esquecida de todas as memórias?
Uma noite primitiva e ancestral na aurora da história,
Quando um pequeno ser vivo, um milhão de anos depois chamado: “homem”.
Chamou para um lugar mais perto da fogueira acesa o seu neto
E então, apontando com dois dedos da mão direita uma estrela.
entre as muitas do céu de julho, pronunciou pela primeira vez
o seu primeiro nome. Como terá sido aquela noite?
com que gestos de um afeto rude, no entanto cheios de uma estranha luz,
mais do que a fogueira, mais do que a das estrelas do inverno
teria acontecido aquilo um dia ... no meio da noite?
Como teria sido, anterior de mil milênios
uma outra noite, mais esquecida ainda no silêncio do tempo
quando um ancestral mais antigo ainda daqueles primeiros homens
descansou sobre os ombros de um menino o peso do braço
e entre movimentos das mãos apenas, e do olhar
ensinou a ele pela primeira vez um pequeno segredo
num tempo em que debaixo das árvores e das estrelas não existiam ainda nem mesmo as palavras, nem mesmo os nomes do mundo?
como teria sido o desenho daqueles gestos sem voz
e tão humanamente simples que sob a proteção dos astros
o homem e o menino adormeceram sem de longe imaginar
que haviam feito ali o milagre de aprender-e-ensinar
para que o saber não morra, e nem as pessoas, e nem as estrelas?
Que pássaros acordados na noite e que outros seres dos céus
é que flores noturnas dessas onde só o perfume
já torna tão cheio de mistérios o mundo e a vida
terão assistido, uma vez e outra, separadas de um milhão de anos
aqueles instantes fulgazes da história quando, primeiro o gesto
e, depois, a palavra, teriam criado a façanha de inventar a troca
entre os símbolos, entre os sentidos e entre os sentimentos do mundo através dos gestos da vida em consciência e em saber?
transformados naquilo a que outros, tanto tempo ,
deram o nome de educação, entre os homens e os filhos dos homens.
IIQuando um gesto ensina, o que se faz?
Entre gestos de poder e amor: movimentos com as mãos, balanços do olhar
alguns murmúrios de palavras e as primeiras frases curtas do pensamento, viajando entre infinitas manhãs e noites
e multiplicando muitas vezes por mil a variação dos inventários
das maneiras de passar de uma geração para a outra os segredos da tribo
entre avós e netas, de aldeia a aldeia, de uma casa à outra
a educação invadiu o planeta e fez dos seres que nós fomos: mulheres e homens.
Porque de então em diante, entre guerra e paz os seres que somos descobriram
que valem muito pouco o saber e a consciência
se não existir entre as pessoas que à noite se reúnem à volta do fogo
o sentimento coletivo de tornar tudo partilha
e repartir, como o peixe e o pão, os gestos das mãos e da voz
com que aprende do outro os seus nomes e os segredos de amassar a farinha
e assar a massa no forno que alguém fez quando aprendeu a fazer .....
E com as mulheres e os homens das noites não lembradas da história
por toda a parte a educação a sua viagem cheia de luzes e de sonhos,
mas também de horas escuras, horas cheias de tormento.
Ao longo do caminho sinuoso dos montes e vales da vida repartida como história
que outros tantos dias e outras noites primitivas
terão sido testemunhas das infinitas tramas dos mistérios
onde, aprendendo com a vida e a alma a experimentar o fio da natureza
os homens do mundo aos poucos tudo transformaram
tocando a água e a pedra com as ferramentas das mãos e do espírito?
Eles ... nós, frágeis senhores de tudo, irmãos do universo,
Seres por onde a vida alcançou a consciência: filhos do barro,
Da chama e da carne, ferreiros dos signos, escrivão dos símbolos
Criadores do tempo da cultura, com que a tudo deram o rosto e o nome
E em todas as coisas assinaram com o sinal de seu poder:
Marcas de alma e sangue dos sonhos dos homens.
E entre tudo: pessoas, palavras, signos, símbolos e sentimentos
À volta das fogueiras, dentro das chocas nas noites das grandes chuvas,
Tocando uns com as mãos os corpos dos outros: aprendiam-e-ensinavam
E de novo, muitas vezes, ensinavam-e-aprendiam.
E assim como fizeram as pessoas depois das primeiras com os bens
Que o trabalho caçava, colhia, criava e fiava, eis que entre todos alguns faziam circular os rituais do saber. E revelavam segredos
E apalavravam o conhecimento e davam, como a carne ou o pão, aos outros,
Para que a morte não viesse tão logo e os filhos fossem mais sábios
Do que os pais e os netos mais sábios do que os avós. Assim foi.
“- quando eu nasci já então os grandes peixes haviam passado ...
- e quando foi que você nasceu?
- depois que os grandes peixes haviam passado!”
Vivendo juntos sempre alguma forma de comunidade, experimentando o mundo
e tocando com os mesmos gestos o que viram antes tocarem com outras mãos
os homens do mundo antes de nós aprenderam mais do que as lições que o mundo dá.
ao ser roçado com amor e fúria entre o corpo e o pensamento.
Aprenderam mais do que as lições que a vida abre aos olhos e oferece
– de todos, a melhor mestra – porque além da vida individual, mas através dela, descobriram as lições vividas entre uns e outros ao redor do calor dos corpos,
olhando com fome os dedos do artesão e as mãos do sábio
e murmurando baixinho dentro do espírito as palavras que ouviam ...
Isso, através do que a vida se multiplica e transforma a sua qualidade
ao olhar a vida de si mesma com o pensamento consciente
como a filha que aprendeu da mãe e ensina a mãe
Isso, que realizado vezes sem conta passa do gesto ao ensino,
do ensino ao saber e, partilhado, do saber à cultura.
IIITão grande como tudo o que é humano é a educação
Como o chão de terra do clã tribal, no mapa vivo dos sinais da aldeia,
dentro das canoas, no tabuleiro das primeiras rocas de inhame ou trigo
seguindo atrás os passos dos adultos nas trilhas dos matos,
olhando em silêncio a mãe fazer uma esteira de palha, vendo, cúmplice de um instante feliz, o pai pescando o peixe.
Como terá sido que as meninas e os meninos das primeiras tribos
Das nações dos homens sabiam cantar as canções e dizer as preces
Às flores e aos deuses de seus mundos?
Como aprendiam todos com o tempo a desfiar a tela infindável dos nomes e de tudo
E decifrar a equação complicada das categorias sociais de pessoas
Com quem era dado a cada um conviver: em seu tempo, a seu modo?
Como aprendiam as crianças desde cedo quem era quem entre os outros:
Para conviver, para evitar, para brincar, para respeitar, para caçar,
Para casar, para temer, para parir, para esperar, para ajudar a morrer?
E como é que os mistérios da tribo eram desigualmente guardados
Antes da escrita, na efêmera flor da memória do grupo
E de uma geração à outra, entre muitas, atravessavam o sono dos séculos?
Como se aprende a cantar com a mãe uma primeira canção de crianças
E com os velhos a pronunciar entre balbucios da prece
O nome amado e terrível dos seres sagrados? Raros nomes de amor e medo
Que os mitos imemoriais da aldeia inventaram entre verões e invernos
E os seus ritos dançados entre palmas à volta do fogo
Faziam tudo ser tão cheio de vida e de realidade?
Como será que do adulto ao menino passou muitas vezes, em tantas eras e lugares
O poder de invocar o artifício da magia, mãe da ciência e sua irmã?
Como foi que um outro ensinou a um outro os outros nomes das mesmas coisas
E os dos espíritos da vida com que a imaginação de alunos e de mestres
Povoou por toda a parte um alfabeto sem fim de significados: o fundo das águas
E a escuridão das matas, o espaço azul e sem formas, o sol e a lua, o mapa
Interior das árvores, a alma dos bichos, o caminho dos ventos errantes
E a mensagem do deserto?
Como um dia alguém fez uma arapuca e ensinou a alguém o que havia nela
E pela primeira vez a maldade do homem prendeu alí uma ave amarela?
E, multiplicado entre o bem e o mal o domínio do homem sobre o mundo
Transformou-se em poder e em sabedoria. E nos ritos que tornam a mata um deserto
E depois frutificam o deserto e depois o destroem, e depois ...
Pois como quem de todas as coisas conhecidas sonha ser o senhor,
Mas tal como a criança, precisa a cada dia aprender de novo cada passo
Do caminho do conhecimento que habita ao mesmo tempo a sua alma e o universo,
Eis que o homem leu e releu pelo fio do tempo afora as lições de conviver com o outro e o mundo; com os outros de seu mundo e de outros;
Com os mundos de seus outros; com os outros de si mesmo; com os mundos de si, outro.
E para então transformar ao mesmo tempo o mundo e a si mesmo
(pois já então Prometeu havia dado o fogo aos homens ...)
segundo as imagens dos sonhos que todas as noites tinham os magos,
entre momentos irmãos e opostos de ódio e amor fraterno
As pessoas da cultura aprenderam a criar e construir, a saber e repartir
como o sábio-operário os objetos de sue dia: o arco e o cesto, a prece e a rede,
o arado e o fio da semeadura, os desenhos passados no rosto do morto, os colares
e os braceletes das festas dos corpos de seus filhos.
E, assim, de muitos modos, cada um de acordo com a sua gramática dos ofícios
entre todos, desiguais igualados, a tribo aprendeu a fazer circularem
de casa em casa os bens do fruto do trabalho, as pessoas e os símbolos dos nomes.
E de uma porta à outra entre todos deveriam passar os seres das trocas:
peixes, pessoas e parábolas ...
e, em cada cultura, tudo ia até onde alcançava ir a educação
Em meio a pessoas e saberes diferentes e iguais ...
pois houve um tempo em que, em nada diversa de uma brincadeira entre primos
ou de um momento de assistir juntos ao rápido passeio de uma estrela cadente
ou ao trabalho rotineiro que três meses depois multiplica por cem uma semente,
eis que a educação corria de mão em mão no bailar de qualquer gesto.
E foi quando rela não tinha ainda sequer esse nome e os eus donos,
porque então livre, solta da amarra de possuir senhores do saber e do sentido
como as flores que todos colhem e carregam para a casa
uma educação solidária amadurecia o fruto que o saber semeava.
IV
foi quando então ...
Aqui e ali, por toda a parte, quando cresceram os bens e os poderes
Dos homens de antes de nós, e os frutos do trabalho de todos
Multiplicou para alguns muitas vezes as cestas dos grãos de cereais
Eis que houve a sobra não gasta na festa à volta do fogo
E o poder de guardar o que não era mais de todos
Transformou o uso e a troca solidária na posse e no intercâmbio interessado.
Então, entre os homens da aldeia-cidade surgiram muros e soldados.
Surgiu o moeda: o que se acumula nos porões dos palácios e não se come
E as pessoas do mundo começaram a ensinar-e-aprender a pior lição.
Foi quando uns foram donos do gado e coube a outros o dever de vigiá-lo,
E empilharam uns os montes de trigo que faltava na mesa de outros,
E muitos teciam em teares de lágrimas a roupa de poucos
E sobre o chão dos primeiros mundos divididos entre os homens
Tornaram-se uns os donos da terra, das beiras dos riso e dos riachos
E foram donos das cidades e senhores das praças e do poder de dizer:
“isto é meu, é o meu domínio!”
E cada vez mais onde havia trilhas sem portas fizeram grandes portas fechadas
E onde todos eram livres e diferentemente iguais, começou a reinar a desigualdade
E a maldição que torna uniforme a diferença e servo quem era livre ...
E então o saber que dava nome às imagens e fazia mitos dos sonhos
E era o fruto do trabalho sobre a terra e filho do espanto e da maravilha
Dividiu-se também entre os filhos dos homens, como a terra e os seus frutos.
E o que fora repartido entre todos: nomes, segredos, lembranças,
Aos poucos saiu da volta das fogueiras e do olhar dos primeiros magos
E escondeu-se também entre paredes protegidas por muros e guardas.
E foi quando como o grão roubado da mesa dos outros para o celeiro dos ricos,
Que uma parte poderosa do ofício do vôo de ensinar-e-aprender
Dividiu-se também sob as mãos alvas de senhores de sedas
Esquecidos, como os mestres de quem eram donos, como eles,
De segurar com o peso bom dos braços os dois varais do arado ...
De quem são as estrelas? De quem são as figuras que a alma dos homens faz dela?
De quem são os seus nomes: “Antares”, “Capela”, “Riguel”, “Betelguese”?
De quem é o saber que das estrelas e seus nomes fez deuses e lendas, heróis
Do destino e caminhos sobre os mares nas viagens a outras terras?
Em nome de quem? Do que? Os homens dividiram então o saber em saberes
E
deram, a cada um, um caminho e um destino. E deram a alguns o segredo de um poder
Diverso do que houvera antes entre diferentes, tornados agora desiguais?
Como é que foram separados por muros os próprios nomes das coisas da vida
E dado a uns o poder de dizê-los e aos outros não, e, em silêncio,
Tornarem-se servos onde houve senhores, e colonizados onde há colonizadores?
E aqueles-que-não-sabem onde agora existem os senhores-do-saber
E os donos do trabalho e dos ofícios dos que conhecem e ensinam?
VAcaso esquecemos ...
Acaso esquecemos, professores, essas lições da história?
Terão elas sido um mau momento do passado ou estão à nossa volta, agora, aqui?
Olhamos em nós e ao redor de nós e vemos claros os seus despojos
Ou fizemos delas os mitos e os contos de fadas de nossas lições?
Por que então tudo foi como se uma canção fácil – uma dessas cantigas
Um dia surgidas no largo do centro da aldeia sem que se saiba de quem ou quando
E que as pessoas, juntas, soubessem entoar com vozes doces e flautas de madeira
E dançando lembranças cantassem as estórias de sua própria estória –
Fosse posta, escondida e guardada em templos e em palácios
Onde
apenas sete iniciados vestidos de roupas brancas de linho,
Onde antes houveram setenta pastores com flautas nos montes e vestes de peles,
E esses poucos, separados, soubessem tocá-la em flautas de ouro
E cantá-la em voz baixa para sete senhores, entre setecentos mil outros,
Deixados do lado de fora, separados por muros e silêncios de pedra.
Sete senhores de Tebas – e quantas houve! E quantas há! – que fazem a festa
E pagam aos músicos depois de haverem separado o trigo da palha
E o saber do poder do saber do trabalho
E os hinos dos reis dos cantos dos escravos
E os instrumentos de ouro dos de madeira e couro
E aqueles que trajam as vestes brancas e livram a mão do arado
Dos que rasgam nas ferragens do arado as roupas de trapos.
Depois de haverem na trilha dos tempos colocado longe a multidão dos muitos
Do segredo bom das letras de músicas que ficaram difíceis
Sem nunca terem sido sábias, e das fórmulas tornadas as ciências
Daqueles que puderam de então em diante seguir aprendendo os nomes
Que nomeiam os segredos do mundo e o coração da vida.
VIdesigual, dividida, ela persiste
Tão grande quanto tudo o que é humano é a educação.
e também tão corriqueira, tão estranha e tão terrível.
Depois de tantos anos ela está viva, como os homens, a história e as culturas
E não existe somente na escola e no sistema, mas na vida.
E depois de tanto, todas as teorias sobre ela, e os métodos e os artifícios
Não a tornaram e à sua pequena infinita trama de trocas entre as pessoas
Muito diferentes do que, múltipla, diversa, ela tem sido vida afora
Entre professores-e-alunos, mas de maneira igual, entre avós-e-netos.
Nada existe nela de eterno ou de absoluto e tudo muda e permanece
E nada nela foi a criação dos deuses que criaram flores e pintassilgos.
Nós, criaturas e criadores de prometeu, acendemos um dia o seu fogo,
Pois como tudo o que o homem precisou aprender para ser e criar
A educação é filha do trabalho e é, ela mesma, um trabalho dos homens.
Um trabalho em apenas alguma coisa mais difícil do que outros,
Porque ele é feito entre sons e sentidos sobre a matéria de seu próprio espírito
E lavra, semeia, cuida e colhe na terra de seu próprio corpo.
Ela existe apenas onde as mulheres e os homens se reúnem e compartem:
Livres e iguais, à volta da fogueira, ou separados entre muros.
Por isso mesmo, quando por seu meio as pessoas transformam
As regras das trocas do trabalho e as leis da repartição de seus frutos,
Do mesmo modo a educação muda os seus nomes e troca de roupas
E varia de um sistema a outro o próprio trabalho de que é feita.
Apenas aqueles que pretenderam abrigar o educador
A ser menos humano do que os avós de um tempo antes, e não estar,
Como todos, entre todos, contaram ele, fechadas as portas, acesas as luzes
Que não são de fogo, que o seu trabalho é um ofício separado dos outros
E ele, sendo um sacerdote de vestes brancas, não pode ser um profeta.
Porque os que dizem que o seu ofício instrui o que se sabe
Esquecido de ensinar o que se cria com o outro e se aprende dele,
Esqueceram de contar que a mesma luz que clareia salas escurecidas
É um fogo vivo que, às vezes, incendeia no meio da noite o coração e o mundo.
Pois entre ensinar-e-aprender as palavras trocadas geram as idéias.
As idéias trocadas não transformam o mundo. As idéias transformam as pessoas
E as pessoas transformam o mundo. As pessoas transformam o mundo!
Emissário da palavra, buscador do diálogo, criador de mundos novos,
O educador não é um artesão parado num tempo.
Por causa de um ou sete sonhos que tem todos os dias
– e como ser um professor sem sonhar isto? –
ele não pode esquecer todos os dias as tarefas de seu tempo
e nada do que é humano, nele, em cada dia, lhe é indiferente ...
Podemos parecer sermos hoje menos do que fomos ontem,
Pois salário injusto nos diz isto e há tantas máquinas à volta ... tantas.
Mas eles sabem e nós que somos hoje mais indispensáveis do que nunca
Porque mais do que antes trata-se de salvar o homem de si mesmo
E por isso somos como pontes, mensageiros do que foi lembrado, os educadores.
Se não somos senhores de nossa própria fala
E não reaprendemos de novo a inverter com a vida as lições da sala de aulas
Sabemos que é possível recriar com o outro as palavras perdidas
Dos que perderam a voz, mas não a memória da fala ...
Entre todos e não apenas entre os escolhidos
O trabalho do educador serve ao reencontro do homem com a sua origem
E não somente por dever de ofício é urgente não esquecermos
Que se não tomarmos com eles entre as mãos o leme do navio da educação.
Outros o farão por nós e contra nós, e contra o horizonte
Da aurora dos tempos que hão de vir, porque, junto, nós o faremos chegar.
Pensar a rotina e o mistério de nosso trabalho como um ofício entre muitos.
Ousar recriá-lo sempre e transformar com outros todas as suas esferas:
A da sala de aulas, da escola, do sistema e do lugar do sistema.
Imaginar que a educação existe menor e maior do que a escola
E que, educadores, somos todos os que ainda temos o olhar dirigido ao infinito,
Ao horizonte distante e possível de um mundo fraterno de homens livres
Onde todos possam ser, desarmados, irmanados, alunos e sábios.
Entre as pessoas do mundo, os homens do povo
De quem, professores, somos mais e menos do que mestres,
E muito mais do que meros mediadores de algum poder supremo
Situado fora dele e de nós mesmos.
Ao lado dos que não esqueceram de ser portadores do futuro
Seus irmãos e companheiros de um mesmo longo caminhar...

Traductores: Paulo Silva, Sabrina Ildefonso, Rogério Martins, Alexandra de Almeida e Ana Dias
Revisores: Mariana Santos, Lotte-May Beedell y la professora Rosana Durão

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

"Como mudar o mundo"


“Como mudar o mundo” é o novo livro de Hobsbawm; Após se sentir parte da geração com a qual se extinguiria o marxismo da vida política e intelectual do ocidente, as crises financeiras, a espiral conflitiva do capitalismo e as mudanças na América Latina deram a Eric Hobsbawm, aos 94 anos, a alegria de voltar a Marx.

Eric John Earnest Hobsbawm (Alexandria, 9 de Junho de 1917) é um historiador marxista reconhecido internacionalmente.

No seu novo livro, que tem o sugestivo título "Como mudar o mundo", o historiador refuta com sua habitual lucidez as más interpretações, arquiva os preceitos que envelheceram e utiliza as ferramentas oferecidas pelo autor de "O Capital" para entender o mundo no século XXI e fazê-lo um lugar
melhor.

Aos 94 anos, depois de publicar suas extraordinárias memórias (Tempos Interessantes), o grande historiador inglês Eric Hobsbawm - que dedicou sua vida à análise e explicação da era moderna, desde a Revolução Francesa até
os estertores do século XX - tinha um livro a mais para escrever: Como mudar o mundo. Após se sentir parte da geração com a qual se extinguiria o marxismo da vida política e intelectual do ocidente, as crises financeiras,
a espiral conflitiva do capitalismo e as mudanças na América Latina lhe deram a alegria de voltar ao seu querido Marx. No livro, refuta com sua habitual lucidez as más interpretações, arquiva os preceitos que envelheceram e utiliza as ferramentas oferecidas pelo autor de O Capital
para entender o mundo no século XXI e fazê-lo um lugar melhor.

Imaginem a cena: Eric Hobsbawm, reconhecido historiador inglês de corte marxista, e George Soros, uma das mentes financeiras mais importantes do mundo, encontram-se para um jantar. Soros, talvez para iniciar a conversa,
talvez com o objetivo de continuar alguma outra, pergunta a Hobsbawm sobre a opinião que este tem de Marx. Hobsbawm escolhe dar uma resposta ambígua para evitar o conflito, e respondendo em parte a esse culto à reflexão antes
que ao confronto direto que caracteriza seus trabalhos.

Soros, ao contrário, é conclusivo: "Há 150 anos esse homem descobriu algo sobre o capitalismo que devemos levar em conta".

A estória parece quase seguir a estrutura de uma piada ("Soros e Hobsbawm se encontram em um bar..."), mas é o melhor exemplo que o historiador inglês
encontra para mostrar, no começo do seu livro, essa ideia que está pairando no ar há tempos: o legado filosófico de Karl Marx (1818-1883) está longe de ter se esgotado e, muito pelo contrário, as publicações especializadas da
atualidade, o discurso político quotidiano, a organização social de qualquer país não fazem outra coisa que invocar o seu fantasma para lidar com esse angustiante problema que tomou o nome histórico de "capitalismo".

No livro, recentemente publicado em castelhano, que leva o
sugestivo título Como mudar o mundo, Hobsbawm volta a oferecer seu indiscutível talento para colocar as proposições daquele filósofo alemão que seguem tendo uma vigência definidora para construir o presente.

Repassemos antes a presunção de morte que se pendurou no pescoço de Marx durante o último quartel do século XX: a crise do petróleo de 1973 desencadeou um processo político e econômico que organizou o que Hobsbawm qualificou como reductio ad absurdum das tendências da economia de mercado.

A situação provocou o surgimento de governos conservadores nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha (com Ronald Reagan e Margaret Thatcher à frente de seus países), ao mesmo tempo que implicou em diversos territórios a implantação de economias de claro corte financeiro, situação que na América Latina trouxe aparelhado o surgimento de governos de fato que impuseram este tipo de organização pela força, suplantando as estratégias  de desenvolvimento industrial e substituição das importações por facilidades para os capitais andorinha, a especulação e a desestruturação das
organizações sindicais (somados, é claro, às estratégias de repressão dispostas há muito tempo antes dos golpes, como mostra a história nacional).

Aquela série de mudanças culminou com a queda do Muro de Berlim e do bloco soviético em 1989-1991: a URSS não podia resistir muito mais tempo com sua particular versão do marxismo e sua economia planeada. Francis Fukuyama,
pensador norte-americano de corte neoliberal, se apropriou de algumas noções da filosofia hegeliana para dar a sentença final acerca desta sucessão de acontecimentos: estávamos diante do "fim da História", o desaparecimento do
mundo organizado em blocos opostos que havia marcado o destino de tudo o que conhecemos desde o final da Segunda Guerra Mundial em diante.

É neste panorama conciliador da economia globalizada e aparente pacificação social que, ao longo da década de 1990, todo o mundo deu por enterrado o pensamento marxista, inclusive, com certas justificativas de índole éticas:
o nome de Karl Marx sempre vinha acompanhado de José Estaline, entre muitos outros. Marx não era apenas uma má palavra para um guru económico, mas também para um cidadão das zonas mais pobres da Rússia, que via com prazer a
forma como caíam as estátuas de Lenin, Stalin e do próprio Marx.

Quem teria dito então que veríamos uma foto de Sarkozy lendo O Capital e o papa Bento XVI elogiando a capacidade analítica de seu autor?

Entre 2007 e 2009 (2001, para nós), uma série de crises do sistema capitalista financeiro (ou "capitalismo tardio" tal como o identificaram pensadores como Frederic Jameson ou Jürgen Habermas), demonstraram que o que se pensou como o começo de uma era de tranquilidade em termos políticos,
sociais e, sobretudo, económicos para depois de 1989, na verdade não era nada disso. O mercado entregue pura e exclusivamente à "mão invisível" de Adam Smith, amparado pela domesticação do Estado, começou a trincar sem
necessidade de conflito com outro sistema económico-político.

A revolução não é um sonho eterno Disse-o muito bem a Times após a queda financeira de 2008: "Voltou". Quem?
Marx. Três anos depois, o panorama não melhorou e neste clima pouco promissor, muitos revisam sua figura para recuperar o que foi que disse e o que se pode extrair de sua análise com o objetivo de superar a crise que
afeta por estes dias as principais economias do mundo globalizado (basta rever como começamos cada semana com uma nova "segunda-feira negra", por não somar mais dias ao calendário).

Aos 94 anos, Hobsbawm observa acertadamente que Marx havia sentenciado qual seria o destino do capitalismo ao seguir a linha que em meados do século XIX insinuava com perfeita clareza: a concentração do capital em poucas mãos
produziria um mundo onde apenas um número muito pequeno de pessoas teria o maior número de riquezas, ao passo que o sistema não poderia seguir o ritmo de seu próprio crescimento desproporcionado. A quantidade de riquezas
produzidas e o contínuo aumento da população não permitiriam o desenvolvimento igualitário de todos os indivíduos, ao que se somava o fato de que o ritmo de crises cíclicas acabaria aumentando com o tempo até chegar
ao ponto da inevitável queda do sistema.

Em 2002, o economista indiano Meghnad Desai já anunciava em um trabalho, "A vingança de Marx", onde afirmava que muitos acreditaram que o pensamento do alemão se extinguiria com a queda dos estados socialistas, mas as teses e
observações realizadas nos trabalhos iniciais vão muito além desses 70 anos de governos comunistas que constituíram apenas um "episódio" da virada para o socialismo: os marxismos não ofuscam as observações de Marx, e é esse
núcleo básico que é preciso voltar a ler.

Hobsbawm concorda com Desai: uma coisa são os trabalhos originais e outra a maneira como esses livros (com seus avatares particulares, suas más traduções ou suas publicações tardias) formaram escolas ao longo de todo o
mundo. Essa história da escola marxista é a que terminou com a queda do Muro, e não a força política e filosófica das primeiras explicações. Este renascer de Marx é o que entusiasma agora um Hobsbawm que se apresentava um
tanto decepcionado com a ideia de que, durante a década de 1980 até finais de 2000, o "mundo marxista ficou reduzido a pouco mais que um conjunto de ideias de um corpo de sobreviventes anciãos e de média idade que lentamente
se ia erodindo".


Quais são essas ideias? Que coisas de Marx é preciso conservar? Em primeiro lugar, a natureza política de seu pensamento. Para ele, mudar o mundo é o
mesmo que interpretá-lo (parafraseando uma das míticas "Teses de Feuerbach"); Hobsbawm considera que há um temor político em vários marxistas de se verem comprometidos com uma causa, sabendo de antemão que para entrar
na leitura de Marx teve que haver primeiro um desejo de tipo político: a intenção de mudar o mundo.


Em segundo lugar, a grande descoberta científica de Marx, a mais-valia,também tem lugar neste ensaio histórico de erro e acerto. Reconhecer que há parte do salário do operário que o capitalista conserva para si com o
objetivo de aumentar os lucros, com a passagem do tempo é encontrar a prova de uma opressão histórica, o primeiro passo para chegar a uma verdadeira sociedade sem classes, sem oprimidos. Os operários estão conscientes dessa
injustiça e só mediante uma organização política coerente poderão "dar uma reviravolta". Ao contrário do que acreditavam os gurus da globalização, nem os operários nem o Estado são conceitos em desuso: Hobsbawm esclarece que
"os movimentos operários continuam existindo porque o  Estado-nação não está em vias de extinção".


Por último, a existência de uma economia globalizada demonstra aquilo que Marx reconheceu como a capacidade destruidora do capitalismo, mais um problema a resolver que um sistema histórico definitivo. Hobsbawm chama a
atenção, a partir do filósofo alemão, para essa "irresistível dinâmica global do desenvolvimento econômico capitalista e sua capacidade de destruir todo o anterior, incluindo também aqueles aspectos da herança do passado
humano dos quais o capitalismo se beneficiou, como, por exemplo, as estruturas familiares". O capitalismo é selvagem por natureza e seu final – ao menos, o final da ideia clássica de capitalismo - é evidente para
qualquer pessoa no mundo.

É muito difícil dizer que da análise de Marx se possa tirar um plano de ação "à prova de bala". A teoria marxista clássica falou muito pouco sobre modelos de Estado ou do que aconteceria uma vez instalada a revolução, mas
muito sobre análise econômica: pensando o que acontece é  que se pode saber como agir. O que Marx deu foram ferramentas, não receitas dogmáticas. Como bem disse Hobsbawm, os livros de Marx "não formam um corpus acabado, mas são, como todo pensamento que merece este nome, um interminável trabalho em curso. Ninguém vai convertê-lo em dogma, e menos ainda em uma ortodoxia institucionalmente ancorada".

Mas, claro, a vida oferece surpresas: embora haja colocações de Marx que se conservam, há muitas outras que o curso da História (e dos homens que a vivem) mudou. Por exemplo, um dos paradoxos do século é que, embora Marx
acreditasse que a revolução acabaria se dando em todo o mundo ("Trabalhadores do mundo, uni-vos!"), os levantamentos que terminaram com o marxismo no poder durante o século XX se deram em países bem diferentes da
Alemanha, Inglaterra e França, o triângulo em que, para Marx, tudo começaria.

Por sua vez, o marxismo se misturaria com movimentos de mudança ou grupos que reconheciam diferentes injustiças sociais em territórios insuspeitados.

Na Rússia, por exemplo, a filosofia marxista se mesclou com o nacionalismo agrário narodnik, ao menos, em um primeiro momento. Na China, a revolução se deu em uma cultura agrícola não ocidental, imperial e milenar. Por sua vez,
todos esses modelos de país tinham muito pouco com a ideia original: assim como afirma Hobsbawm, "no período posterior a 1956, uma grande maioria de marxistas se viu obrigado a concluir que os regimes socialistas existentes,
desde a URSS até Cuba e Vietnã, estavam longe daquilo que eles mesmos teriam desejado que fosse uma sociedade socialista, ou uma sociedade encaminhada ao socialismo".

Talvez o artigo mais determinante seja aquele dedicado à redação do Manifesto do Partido Comunista, o texto breve de 1848 onde Marx e Engels declaravam a inevitável presença de um partido que não era, nessa época, o mesmo tipo de organização que o século XX conhecerá depois das propostas
operativas de Lenine. O objectivo fundamental da criação de um PC era distinguir sua proposta da de toda outra forma de avatar socialista,sobretudo em suas variáveis utópicas: de Saint-Simon aos falanstérios de Fourier, onde a liberdade sexual (e as correspondentes "orgias coreografadas") se equiparavam a uma liberdade de trabalho. Um século e
pouco depois, talvez esse PC tenha sido mal entendido.

Pensar a transição de sociedades agrárias para sociedades socialistas, ou revisar a mudança histórica do feudalismo ao capitalismo, foi um dos pontos que mais preocuparam o último Marx: ali se encontra a possibilidade de
entender desde o presente os movimentos revolucionários em países com estruturas agrárias como as presentes na América Latina, África ou algumas zonas do Oriente. Para além das condições para que se dê a mudança (descontentamento social, consciência do conflito, etc.), o marxismo
clássico do século XIX defendia a necessidade de certas condições objetavas para a revolução: desenvolvimento industrial e comercial em grande escala longe do artesanato e do comércio "cara a cara"). A América Latina conheceu
a refutação destas condições no Che Guevara: onde havia uma necessidade, não havia apenas um direito, mas também uma possível revolução. Hobsbawm, atento a este tipo de experiência, demonstra o interesse particular que existe para revisar a mudança ao socialismo fora dos limites da Europa.

A cintura cósmica de Marx Em uma entrevista concedida ao jornal The Guardian, e realizada por Tristram
Hunt - que acaba de publicar, oh casualidade, a biografia de Engels também resenhada nestas páginas - e publicada em janeiro deste ano, Eric Hobsbawm falou com entusiasmo da recuperação de certa linguagem econômica e política que se acreditava esgotada depois do auge liberal das últimas décadas do século XX: "Atualmente, ideologicamente, sinto-se mais em casa na América Latina porque segue sendo a única parte do mundo onde as pessoas ainda falam
e conduzem sua política na velha linguagem, na linguagem do século XIX e do século XX do socialismo, do comunismo e do marxismo". Embora a pergunta apontasse para a saída de Lula do governo e a localização do Brasil dentro do grupo de países com perspectivas de liderança mundial (o BRIC, junto com a Rússia, a Índia e a China), a resposta renova a repercussão da conjuntura política latino-americana dentro do panorama mundial e a presença de
diversos governos de esquerda e centro-esquerda no continente.

Um dos últimos artigos do livro, "Marx e o trabalho: o longo século",assinala precisamente que as organizações proletárias com fins políticos não necessariamente vão de mãos dadas com a teoria marxista. O melhor caso para
explicar seu ponto de vista o encontra em nosso intrigante país: "Os socialistas e comunistas, frustrados há tempo na Argentina, não podiam compreender como um movimento operário radical e politicamente independente podia desenvolver-se, na década de 1940, naquele país, cuja ideologia (o peronismo) consistia basicamente na lealdade a um general demagogo".

A vitória de partidos operários no continente, alimentados pela perspectiva marxista de justiça e progresso  igualitário, mas não ligados a organizações
de claro corte comunista, apresenta a possibilidade de uma transição a um Estado socialista não mediada por uma revolução, assim como se colocou nos termos da URSS e da histórica Revolução de 1917, ou como o imaginário atual
lê o futuro da revolução cubana de 1959. Em definitiva, há coisas que a própria História, não Marx ou suas muitas interpretações, demonstraram que são inviáveis: o socialismo russo fracassou por manter uma economia de
guerra a curto prazo que se propunha objetivos difíceis que implicavam esforços e sacrifícios excessivos (desde concentrar todo o excedente e o esforço produtivo com a finalidade de conquistar o espaço exterior a mudar
as práticas de produção agrária). Distinguir Lenin e stalin do pensamento de Marx é um acontecimento dado nos últimos anos que pode mostrar as facetas mais interessantes para uma teoria do presente. Ou seja, algo necessário que permite pensar as circunstâncias atuais para escorar a mudança dentro da complexa geografia latino-americana.

O marxismo teve várias crises ao longo de sua história. Desde que se propôs colocar Hegel "de pernas para o ar" e transformar todo o discurso do espiritual em atenção ao material, já em 1890 apareceram os primeiros críticos às formulações básicas desta filosofia. Contudo, há algo nas idéias de Marx que segue interpelando o homem contemporâneo, que segue falando de uma mudança não considerada como mero desejo existencial ou aspiração
utópica, mas como situação possível de levar a cabo na actualidade,sobretudo, pela via democrática e partidária.

Como bem pergunta Soros, e como escreve Hobsbawm: "Não podemos prever as soluções para os problemas que o mundo enfrentará no século XXI, mas para que haja alguma possibilidade de êxito devemos fazer-nos as perguntas de
Marx".
__ 
(*) Publicado originalmente em português por IHU Online
<http://www.unisinos.br/ihu>  e republicado pela agência Carta Maior
<http://cartamaior.com.br/> . A tradução é do Cepat.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TLS - Trabalhadores na Luta Socialista

TRABALHADORES NA  LUTA SOCIALISTA RESISTEM À OFENSIVA DO CAPITAL.
TESE AO 3º CONGRESSO NACIONAL DO PSOL – PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE 02, 03 E 04 DE DEZEMBRO DE 2011.

1.      No final da década de 1980, com o fim dos regimes de inspiração stalinista no leste europeu e com o advento da política neoliberal patrocinada por Ronald Reagan (EUA) e Margareth Thatcher (Inglaterra), os Estados Unidos mudaram sua política para a América Latina. Após as inúmeras intervenções e implantação de ditaduras, passaram a apoiar a “democracia burguesa” legitimada por processos eleitorais como o último estágio de organização política, econômica e social da humanidade. Nesse contexto, desenvolveram a ideologia neoliberal a partir do CONSENSO DE WASHINGTON. Desde então, várias conferências sobre os mais variados temas foram realizadas com o objetivo de salvaguardar os interesses do capital e do imperialismo. A ECO-92 no Rio de Janeiro (que resultou na criação da Agenda 21) e a Conferência Mundial de “Educação para Todos” na Tailândia em 1991, são exemplos marcantes desse processo, bem como as Conferências de Durban (2001), a Mundial de Cultura (2004) e a Mundial de Educação (2005) (as duas últimas realizadas na cidade de São Paulo). Todas estas atividades tinham o propósito de difundir e implementar políticas neoliberais nos diversos setores de ação do Estado e da Sociedade. Do ponto de vista econômico vêm realizando Fóruns Econômicos Mundiais, com objetivos de estabelecer estratégias de ampliar o controle do Mundo por parte das nações ricas e suas multinacionais e transnacionais.
2.      A partir destes fóruns vêm redefinindo o papel do Estado através das privatizações, restringindo sua atuação à segurança e aos investimentos para o capital, com objetivo de  garantir fluidez e solidez ao mercado. Sabemos o que isto significa. Segurança para conter a revolta das massas exploradas e liberação das riquezas nacionais para a ganância do capital. A aplicação dessa política foi combinada com uma poderosa ofensiva ideológica, baseada nos conceitos da “globalização”, difundidos pela mídia como uma nova fase nas relações mundiais, onde termos como “competência”, “modernidade”, “países emergentes” e “aldeia global” passaram a fazer parte de nosso cotidiano. Outros fatores na lógica de dominação foram agregados, tais como a divisão do mundo em megablocos econômicos, além da tentativa de impor a Área de Livre Comércio das Américas. Da segunda metade da década de 1990 em diante, as sucessivas crises do capitalismo, principalmente nos países “emergentes” e mais recentemente nos países ricos, demonstraram a farsa desse discurso e sua desvinculação da realidade econômica.
 
3.      Nesse contexto a humanidade está cada vez mais submetida à barbárie.  Concentração de riqueza nas mãos de uma pequena minoria de privilegiados que vivem em condições luxuosas, enquanto a imensa maioria da população é submetida à fome, à violência e a todo tipo de miserabilidade. É a lógica imposta pela dinâmica do capitalismo mundial que coloca a vida de todas as pessoas do planeta sob a determinação do mercado, o qual nesta etapa se expressa nas bolsas de valores, através da agiotagem internacional e nos capitais financeiros, marcados pela chamada volatilidade, ou seja, a capacidade desses agentes de transferirem suas aplicações com enorme velocidade de um país para outro a qualquer hora do dia e da noite. O neoliberalismo, neste momento de crise, tem ampliado o desvio de verbas públicas aos setores privados. Toda esta engrenagem é dominada por conglomerados financeiros mundiais (principalmente bancos estadunidenses), corretoras de valores (gerenciadas por especuladores) e agências de análise de risco (que têm a função de avaliar a “saúde financeira” de cada país).
 
4.      A crise está instalada no centro do capitalismo e se aprofunda. Os Estados Unidos não conseguiu superar nem restabelecer o emprego, ou o crescimento econômico. Pelo contrário: afunda-se numa crise de liquidez correndo o risco de não honrar seus pagamentos se não aumentar seu endividamento. Já a situação na zona do euro é caótica: a Grécia está falida e a necessidade de resgatá-la se deve ao fato de evitar a queda em dominó: Portugal e Espanha seriam os primeiros a serem arrastados com a Grécia, enquanto economias que já se encontram em profunda crise, como a Itália, por sua vez, apresenta um conjunto de medidas para evitar ser arrastada pela crise. Cabe lembrar que ela tem em torno de 1,8 trilhões de euros de dívida, ou seja, é mais que Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda juntos. Tais medidas seguem a fórmula de cortar nas demandas sociais em prol do capital, como por exemplo, os cortes nas aposentadorias, os repasses de despesas medicas para os trabalhadores e o avanço na privatização, entre outras. A crise do início de agosto  mostrou que a pretensa estabilidade do sistema capitalista mundial é uma falácia. As principais bolsas de valores do mundo sofrem pesadas desvalorizações e a falta de credibilidade arrasta todos os mercados para a hecatombe financeira, sob o desespero dos especuladores que buscam abrigos seguros (como forma de conter prejuízos bilionários) para seus capitais inclusive na compra de ouro e outros metais preciosos.
 
5.      Neste cenário, as grandes manifestações que assistimos no ano passado por toda a Europa, envolvendo trabalhadores e estudantes, bem como, o alto índice de desemprego nos Estados Unidos confirmam o que afirmamos: a crise não terminou e não é só uma marolinha. Após os diversos governos, de todos os continentes, injetarem montanhas de dinheiro para salvar bancos privados do colapso, outros tantos continuam a passos largos rumo ao abismo. Estamos diante de uma crise que, no mínimo, tem as mesmas proporções da crise do início do século XX, que tem seu marco na quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929.
 
6.      Para aqueles que nos acusam de “cavaleiros do apocalipse”, “pregadores do caos”, de “esquerda do quanto pior melhor”, veja o que diz um militante orgânico da direita, um defensor voraz do capitalismo: “Estimativas ainda preliminares (porque o processo não terminou – grifo nosso) sugerem que até agora ela – a crise – já custou mais do que 5% do PIB mundial, aumentou o nível de pobreza e deixou mais de 30 milhões de desempregados” (A. D. Netto. Valor 18/01/11).
 
7.      É justamente a continuidade da crise que está levando os governos a implementarem reformas que retiram direitos dos trabalhadores. Na Grécia os trabalhadores resistiram, inclusive com a própria vida; em Portugal a maior greve da história do país; na Inglaterra os estudantes enfrentando a polícia, para ficarmos em apenas três exemplos.
 
8.      Vale observar a crise que está ocorrendo na Bélgica, por hora marcada nitidamente por um impasse político, podendo em um breve espaço de tempo se transformar em uma grave crise econômica, uma vez que há mais de 230 dias se está sem governo e com um movimento separatista interno: tais fatos podem levá-la ao grupo da Grécia, Irlanda e Portugal.
 
9.      Nossa avaliação é que tal ofensiva sobre os direitos dos trabalhadores vai chegar aqui e que o governo Dilma também vai ampliar a continuidade da aplicação das reformas neoliberais para resguardar os altos lucros do capital. Para enfrentar estes ataques é necessário organizar a resistência, pois será uma luta que somente com a unidade e força da classe pode impedir que os os custos da crise sejam novamente jogados nas constas dos trabalhadores.
 
10.  Fato é que o poder dos EUA se encontra ameaçado, não do ponto de vista bélico, mas do ponto de vista econômico. Neste contexto a guerra cambial é usada como instrumento para amenizar os efeitos da crise nos Estados Unidos e precipitar novas ondas de crises no mundo, principalmente nos chamados países “emergentes” (que tendem a entrar numa era de saldos negativos nas suas contas externas). Projeções indicam que daqui a dez anos a China assuma a liderança econômica no planeta com um PIB em torno de US$24,6 trilhões, enquanto os EUA estarão com US$23,3 trilhões. Dados atuais indicam que Pequim superou Washington em vários indicadores: venda de veículos, exportações, reservas internacionais. Hoje a China é o país que mais exporta para os EUA e é o terceiro maior comprador  das exportações dos Estados Unidos (atrás de Canadá e México).
11.  Se por um lado os Estados Unidos veem ameaçada sua hegemonia econômica, por outro, do ponto de vista militar, se mantém intactos. O controle bélico sobre o planeta continua em poder do império sem ameaça de perdê-lo, pelo menos por hora.. Suas bases em todos os continentes e oceanos, as ocupações de países, o controle de organismos internacionais dão a garantia de que, se necessário, o recurso histórico da intervenção militar está assegurado. De qualquer forma é preciso frisar que o recurso as amas também depende de condições econômicas apropriadas. A atual crise da economia americana foi potencializada pelas guerras no Iraque e no Afeganistão e pelo gigantesco orçamento militar anual. Dados do War Resister League (Guerra do campeonato Opositor), dão conta de que estas duas guerras teriam custado mais de 600 bilhões de dólares aos Estados Unidos. Nesse sentido a estratégia de potencializar a economia promovendo guerras uma era do bonapartismo francês do século XIX, pode levar o império a sua debacle final.
12.   A crise do capital se espalha pelo mundo provocando o levante dos trabalhadores e da juventude nos diversos continentes. As tentativas de restabelecer a normalidade do sistema via intervenção do Estado, ora financeiramente e ou militarmente, tem se demonstrado insuficiente. Não se trata de efeitos colaterais na periferia do sistema, como poderia parecer com os movimentos no norte da África, no Oriente Médio contra governos autocratas instalados faz décadas na região. As revoltas que colocam em xeque tais governos questionam sobre as condições de vida e de emprego, sobre salários e demandas sociais retiradas para proteger o capital.
13.  Fato é que os trabalhadores não estão assistindo passivamente tal situação. Nos quatro cantos do planeta há grandes manifestações, reagindo e resistindo por não aceitar que os custos da crise sejam debitados nas costas dos trabalhadores. É nessa perspectiva que devem ser entendidas as manifestações no norte da África e no Oriente Médio, derrubando governos há anos instalados. No caso da África, as potencias capitalistas continuam devastando as riquezas e deixando um rastro de miséria e fome, responsável pelo genocídio em várias nações africanas. Além disso, governos corruptos e entreguistas condenam o povo à uma situação subumana – que reage com espontaneidade  e pouca organização e direção.
14. Nesse contexto de resistência, saudamos a gigantesca manifestação dos estudantes chilenos contra o sistema educacional daquele pais, baseado no regime de subsídios as escolas particulares e municipais pelo estado chileno, uma herança da ditadura de Pinochet que foi mantida no governo de Michele Bachellet com uma agravante: a permissão que as escolas privadas mesmo recebendo subsídios do Estado cobrassem mensalidades. O sistema está gerando uma terrível divisão entre escolas favorecendo a elite e excluindo os mais pobres. Outra crítica é contra a municipalização (que o Brasil copiou), a qual aprofundou a desigualdade educacional, por isso uma das reivindicações é a desmunicipalização. Diante dessa realidade centenas de milhares de estudantes foram as ruas com a poio de grande parcela da sociedade exigindo do governo Piñera, uma mudança radical no atual sistema. Luta que continua inclusive com enfrentamentos a brutal repressão desencadeada pelo direitista governo chileno.
 
DEFENDEMOS AS SEGUINTES CONSÍGNIAS
·  Em Defesa da Autodeterminação dos povos.
·  Todo apoio à luta do Povo Palestino, aos Zapatistas do México e aos movimentos
   antiglobalização;
·  Em defesa de um Estado Palestino, laico, democrático e socialista;
·  Fora Israel dos territórios palestinos;
·         Fim do embargo econômico a Cuba;
·  Fora às tropas brasileiras, norte-americanas e demais tropas de ocupação do Haiti;
·  Fora EUA do Iraque e do Afeganistão;
·  Fim das bases militares norte-americanas no mundo;
·  Fora o imperialismo do continente africano.

NO BRASIL A CRISE ECONÔMICA É VITAMINADA PELA CORRUPÇÃO
15.  Como todos avaliavam Dilma Rousseff se confirma como um governo de continuidade de FHC e de Lula, aprofundando a política econômica que assegura os grandes lucros do capital, faz um governo de coalizão à direita baseado no fisiologismo e permite o avanço dos vermes da corrupção sobre os bens públicos.
16. Esse conjunto de malfeitores para com o erário público representa uma verdadeira violência aos valores éticos e morais de uma sociedade, se referenciando na conduta dos seus dirigentes, estes formam e influenciam negativamente na estrutura e construção de uma sociedade em todos os aspectos. Por mais que o Capitalismo expresse na sua gênese a acumulação roubada, o aprofundamento do sofrimento alheio e a negação concreta  dos direitos humanos, a nossa luta pelo socialismo pressupõe não corroborar com as mazelas e o esfacelamento da formação pedagógica e política de um povo. Essa desagregação só interessa aos degenerados capitalistas e seus “dignos representantes de classe”.
17. O famoso escritor Gabriel Garcia Marquez, nascido em 06 de março de 1927, num determinado momento de sua vida, mais precisamente em 1957, definiu o governo de seu país, afirmando: “Na Colômbia, onde se põe o dedo sai pus”. Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.
18. Estamos sendo afogados num mar de pus, pois praticamente em todos os ministérios e de forma capilarizada o estado de putrefação eclode cotidianamente.
19. Esse desvio político ideológico deve ser combatido por todas as pessoas de bem e pelo PSOL, que nesse momento que antecede a realização do seu terceiro Congresso Nacional,  a ser realizado em dezembro de 2011, deve expressar seu vigor programático, sua coesão ideológica e,  sua ação   contundente  na limpeza e na  faxina que  o povo espera e clama.
20. A bem da verdade, na história de dominação no Brasil, essa roubalheira remonta desde o primeiro saque institucionalizado do Pau-Brasil, na fase inicial de invasão do nosso país e nas demais pilhagens realizadas pelos europeus e americanos em nossas terras, nesses quinhentos e onze anos de “existência oficial” do país.
21.  Economicamente as altas taxas de juros continuam viabilizando a especulação financeira, por um lado, e, os altos preços dos produtos alimentícios e mesmo os dos combustíveis corroendo os salários dos trabalhadores através da inflação. O BNDES injeta vultosas somas do dinheiro público nas empresas privadas. Sejam usinas, grandes construções (principalmente àquelas da copa e das olimpíadas), mega-fusões, aeroportos privatizados, etc.
22.  Essa política protege o capital onerando ainda mais a classe e favorecendo o peleguismo das centrais sindicais que foram cooptadas pelo governo. Contra a direção chapa-branca-pelega ou à margem destas organizações, as diversas categorias tem se mobilizado resistindo. São exemplos: a greve de Jirau e Santo Antonio, os professores estaduais e federais, os ferroviários e rodoviários em São Paulo e o vitorioso levante dos bombeiros no Rio de Janeiro.
23.  Nossa pequena porém aguerrida bancada tem nos representado muito bem na Câmara Federal e garantido o debate em todos os pontos polêmicos pautados: interveio na questão do salário mínimo, dos direitos humanos e do  código florestal. No senado também Randolf e Marinor têm feito o recorte de classe que o PSOL se propõe a fazer. Aproveitamos para empenhar nossa solidariedade à defesa do mandato da senadora Marinor contra o coronel-corrupto do Pará.
24.  Nos estados nossos representantes têm demonstrado envergadura para as tarefas que a classe trabalhadora lhes outorga. Marcam presença nos movimentos sociais apoiando e denunciando o descaso dos governos com as reivindicações dos trabalhadores. Ao mesmo tempo enfrentando ombro a ombro a repressão e a criminalização dos movimentos sociais; imposta pelos governos municipais, estaduais e federal. O exemplo marcante foi  a luta dos bombeiros no Rio de janeiro; no enfrentamento a repressão do governo Sérgio Cabral, os quais conseguiram aprovar no Congresso Nacional uma Lei de anistia contra a punição estúpida desse governo.
25. É preciso destacar a luta do nosso partido contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e contra a Aprovação do Código Florestal. A construção da Usina representa uma das maiores agressões a Amazônia, pois vai alagar uma área de 500 km², causando impactos terríveis a vida de milhares de pessoas que moram da região, bem como, trazendo prejuízos irreparáveis a biodiversidade da Região, tudo para favorecer a ganância e os lucros dos grandes conglomerados industriais da área da construção que vivem as expensas do Estado Brasileiro. Já a aprovação do Código Florestal sob o comando do “comunista” Aldo Repelo, representa o maior ataque do agronegócio ao meio ambiente do país, com a concessão de anistia aos latifundiários e desmatadores históricos, cujas propriedades na grande maioria foram griladas e apropriadas na base da violência: com expulsão e assassinatos de posseiros.
 
BANDEIRAS DE LUTA
·  Abaixo o projeto neoliberal e seus representantes em todas as esferas de poder;
·  Suspensão imediata do pagamento da dívida interna e externa;
·  Por reforma agrária e urbana, sobre controle dos trabalhadores;
·  Contra o sucateamento dos serviços públicos;
·  Pela Reestatização da Vale do Rio Doce, EMBRAER e das empresas de energia;
·  Contra a privatização da exploração, refino e distribuição da produção petrolífera;
·  Pela estatização dos bancos e do sistema financeiro;
·  Contra as reformas: trabalhista, sindical, previdenciária e universitária;
·  Contra a devastação ambiental principalmente na floresta amazônica;
·         10% do PIB para a educação já, rumo aos 15%;
·  Contra a Reforma Universitária Neoliberal do Governo Lula.
·  Contra todas as formas de preconceito (racial, sexual, religioso e de gênero). Pelo Feriado
  Nacional do Dia da Consciência Negra – 20 de novembro;
·  Salário mínimo de acordo com o valor determinado pelo DIEESE;
·   Redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salários;
·  Pelo fortalecimento dos Comitês de defesa do Pré-Sal e pela reestatização das reservas de
  petróleo;
·  Pelo controle popular e a democratização dos meios de comunicação de massa. Não ao
  controle dos grupos internacionais nas empresas de comunicação. Pela ocupação do espectro
  pelas rádios e TVs comunitárias;
·  Não à autonomia do Banco Central e fim do superávit primário;
·  Abaixo a Lei de Responsabilidade Fiscal;
·  Pelo fechamento imediato dos escritórios da CIA no território brasileiro;
·  Pelo fim do Imposto Sindical;
·  Por um governo dos trabalhadores e em defesa do socialismo.


TÁTICA PARA O PRÓXIMO PERÍODO
26.  No próximo período os movimentos “eclodirão” em todo o país. Devemos estar atentos para impulsionar e apoiar tais mobilizações. Nossos parlamentares devem estar em permanente contato com nossas lideranças que atuam no movimento social (popular, sindical e juventude) para dar mais visibilidade aos movimentos pautando-os no parlamento, na imprensa e nas ruas. A luta das mulheres, dos negros, contra a homofobia e de todos os setores que constroem o partido, deve ter valorização destacada e garantida com a infreestrutura necessária para potencializar o fomentar o debate e a construção do partido pra valer.
 
27.  Para impulsionar e potencializar a organização dos trabalhadores no próximo período, neste cenário de grave crise e ofensiva sobre os direitos dos trabalhadores, o partido deve garantir um fórum interno onde os militantes possam debater a conjuntura e o que fazer no sentido da reorganização e recomposição do movimento sindical de esquerda no país. O partido deve impulsionar a reestruturação sindical, tendo por base a construção de uma Central Sindical da Classe Trabalhadora.

ELEIÇÕES 2012
28.  Defendemos que à participação de um partido classista, de esquerda, no processo eleitoral burguês não se dá de forma estratégica, ou seja, a revolução não ocorrerá através do voto popular. No processo da construção da emancipação da classe trabalhadora aproveitamos as eleições burguesas para denunciar a exploração capitalista e a necessidade da revolução socialista. Para tanto, indicamos alguns ativistas das lutas populares para cumprir essa tarefa.
 
29.  Nosso recorte para a leitura da sociedade tem como base a luta de classes, portanto, a contradição existente entre capital e trabalho é insolúvel nessa sociedade em que vivemos. Aqueles que apregoam a convivência harmônica entre as classes, no fundo defendem a manutenção da exploração dos trabalhadores pelos patrões e tiram o direito dos explorados se rebelarem: ou seja, não há paz possível enquanto o opressor não for derrotado e o oprimido libertado.
 
30.   É com base nessa referência que deve ser lida nossa participação no processo eleitoral burguês, uma oportunidade tática para avançar na luta da classe trabalhadora rumo à vitória. Levando em consideração esse princípio vamos participar no processo eleitoral em 2012 quando ocorrerão eleições municipais. O PSOL deve lançar candidatos tanto para vereador como para prefeito em todos os municípios onde esteja organizado. No próximo período devemos disputar lideranças dos movimentos populares que estejam interessados em sair candidatos sob o programa do partido. Apresentar uma chapa com militantes engajados na luta do povo é tarefa do PSOL, pois é o único partido à esquerda que tem condições de ocupar esse campo de oposição.
 
31.  Nossa política de alianças deve deixar claro para os trabalhadores onde nos localizamos na luta de classe. Não podemos confundir a classe com coligações com a base do governo e muito menos da direita tradicional.. Neste sentido, PT e seus aliados e PSDB e seus aliados estão fora do nosso arco de alianças.
32.       Reafirmamos a defesa que fizemos da Lei da Ficha Limpa, bem como, o confisco dos bens e cadeia para os políticos corruptos  e para os corruptores. Por outro lado, defendemos os direitos políticos dos lutadores do povo. É inaceitável que companheiros que apoiam os trabalhadores em luta como o nosso companheiro Aldo Santos, os companheiros do PSOL de Minas e todos os demais lutadores punidos com a perda dos direitos políticos, com base nessa lei. É preciso punir os corruptos e corruptores que assaltam os cofres públicos e são anistiados pela justiça. Esta mesma justiça que não titubeia em punir os lutadores.
 
 

CONCEPÇÃO DE PARTIDO E TAREFAS PARTIDÁRIAS
32.  O PSOL tem uma tarefa histórica nesse momento de grave crise do capitalismo. Sua intervenção no quadro político brasileiro é fundamental pois é o único partido que pode ser o porta-voz da classe trabalhadora, dos movimentos populares na atual conjuntura.
 
33.  A chegada do PT no governo federal reinventou a política de aliança, a cooptação passou a ser a principal ferramenta. O deslocamento massivo para a direita do PT e seus aliados históricos deixou um vácuo à esquerda que somente o PSOL tem potencial para ocupar.
 
34.  Consolidar o partido no próximo período é a nossa principal tarefa. Ocupar o campo à esquerda, fazendo oposição ao PT e ao PSDB e seus aliados e apoiadores que aplicam as políticas neoliberais é o que nos propomos a fazer. Por outro lado, fortalecer as lutas de resistência dos trabalhadores contra os ataques aos seus direitos também está na nossa pauta.
 
35.  O empenho para o crescimento do PSOL deve estar intrinsicamente vinculado aos cuidados com as fronteiras do partido. Impedir a vulnerabilidade aos oportunistas, carreiristas e outros parasitas da política é a garantia para o partido não perder seu norte: a emancipação da classe trabalhadora.
 
36.  Nossa campanha de filiação deve estar atenta para o compromisso programático daqueles que postulam militar no partido. Somos um partido da classe trabalhadora, lutando para a superação do capitalismo e a construção de uma sociedade socialista.
 
37.       Defendemos a autonomia dos Diretórios, a implementação das Regionais do Partido e a descentralização financeira.
 
38.       É necessário fazermos um Raio X do Partido em nível Nacional, nos Estados e Municípios, para que possamos ter como meta a eleição de uma forte bancada de vereadores nas eleições de 2012.
 
39.       Reafirmamos o caráter do Partido como um Partido de massas, aberto na base e centralizado nas instâncias diretivas (municipais, estaduais e nacional), com objetivo claro de implantar o socialismo científico, como nosso projeto estratégico.
 
40.       O Partido deve buscar alianças pontuais no campo da esquerda, defendendo o financiamento público de campanha, o fim do Senado, o aumento da representatividade nas Câmaras Municipais, assim como, recolocar a luta contra o aumento de mais de 60% nos salários dos parlamentares em todos os níveis do parlamento, buscando a sua revogação.
 
41.       Este Congresso reafirma o papel fundamental dos núcleos do partido e a permanente contribuição financeira dos filiados junto às nossas instâncias de base. Tomando por base a Resolução aprovada no Seminário de finanças realizado pela atual gestão financeira do Diretório Estadual de São Paulo.
 
42.       Este Congresso reafirma o apoio as lutas democráticas, exigindo transparência do judiciário, através de eleição direta para todas as instâncias e tribunais, mandatos revogáveis em todas as esferas de poder.
 
 MODIFICAÇÕES ESTATUTÁRIAS
.  Emendas:
1. A partir desse Congresso as filiações ao partido devem, além de serem abonadas por membro do diretório (nacional, estadual ou municipal), ser ratificadas ou não pela executiva municipal (onde houver) ou estadual (quando não tiver municipal). Cabe recurso em instância superior da decisão da executiva.
2.  Os filiados no partido só terão direito a voto em Congresso, Convenção ou Conferência após um ano de filiado.
    Incluir parágrafos no artigo 8º:
§ 6º – Participar obrigatoriamente de curso de formação quando de sua filiação em data indicada pelo partido; introduzir e produzir cartilhas  de formação  permanente no partido.
§ 7º - Cabe à executiva municipal realizar curso de formação para todos os novos filiados sobre: movimento operário, marxismo, capitalismo, programa e estatuto partidário; eventualmente o diretório poderá dispensar o filiado do curso em se tratando de militante antigo.
   Incluir parágrafos no artigo 57:
§ 3º - A Executiva Municipal é responsável por nuclear todos os filiados e garantir o funcionamento dos núcleos, organizar os setoriais e realizar uma plenária por ano de cada setorial;
§ 4º - A executiva deve encaminhar aos núcleos, mensalmente, a pauta das reuniões do diretório e, solicitar posicionamento sobre os mesmos;
§ 5º - As executivas são responsáveis por realizar seminários sobre as datas importantes da classe trabalhadora;
    Incluir parágrafo no artigo 67:
§ 1º - Os diretórios devem garantir a convocação de um encontro anual de cada setorial.
 
ASSINAM ESTA TESE:
1.      Aldo Josias dos Santos –Executiva Nacional -  São Bernardo do Campo, SP
2.      Adalberto Rodrigues Ferreira – Garça, SP
3.      Ademir Andre da Silva – São Carlos,SP
4.      Adriana Sapanos de Carvalho – Mauá, SP
5.      Adriano Sapanos de Carvalho – Mauá, SP
6.      Afonso de Sá Campos – Birigui, SP
7.      Alan Aparecido – São Bernardo do Campo, SP
8.      Alayde Nogueira Lourenzo – Pracinha, SP
9.      Alberto Ticianelli- Ribeirão Pires
10.  Alcione Martins de S. Oliveira – Salto,SP
11.  Alda Maria dos  Santos- Hortolândia/Montemor;
12.  Aldo Josias dos S. Junior – São Bernardo do Campo, SP
13.  Aleteia Carasco X. Dias  – Itanhaém, SP
14.  Alexandra Felix Belomo – Salto,SP
15.  Alexandre de Paula cruz silva.. Santo André.
16.  Aluiso Figueredo Rios – São Bernardo do Campo, SP
17.  Ana Nogueira dos Santos – Pracinha, SP
18.  André  Sapanos de Carvalho – Mauá, SP
19.  André Luis Bernardes Gonçales - Araçatuba,SP         
20.  André Rodrigues - Guarulhos, SP
21.  Antonio Carlos da S. Barros – Castilho, SP
22.  Antonio Carlos Rocha – Hortoloândia, SP
23.  Antonio Celso de Oliveira – Guarulhos, SP
24.  Aparecido Alexandre da Silva – Valentim Gentil
25.  Aparecido de Sena -  Nova Guataporanga, SP
26.  Aparecido José Alves – Guarulhos, SP
27.  Aristheu Alves - Araçatuba,SP  
28.  Arnaldo Fortunato dos Santos – Guarulhos, SP
29.  Benedito Aparecido Filho – São Carlos,SP
30.  Bruno Ap. Teixeira Ricardo – Garça, SP
31.  Carolina Vasconcelos A. de Brito – Guarulhos, SP
32.  Celiane Fontenla – Salto,SP
33.  Celso Roberto B. de Souza – Itanhaém, SP
34.  Cesar Antonio Galone - Araçatuba,SP           
35.  Chico Gretter, Capital-sp;
36.  Cicero das Garças – São Bernardo do Campo, SP
37.  Cícero Rodrigues da Silva – Capital, SP
38.  Claudemir Pires – Garça, SP
39.  Cleber Cordeiro da Silva – São Bernardo do Campo, SP
40.  Cleberson Santos – São Bernardo do Campo, SP
41.  Cristiani da Silva S Barros – Castilho, SP
42.  Damião Pereira da silva -  Cotia
43.  Danilo Gomes – Pracinha, SP
44.  Danton Leonel de C.. Bini - Araçatuba,SP  
45.  Denis do Prado Lorenzo – Pracinha, SP
46.  Diego Simoes – São Bernardo do Campo, SP
47.  Dimas de Angatuba;
48.  Diogenes Batista – São Bernardo do Campo, SP
49.  Djalma Almir – São Bernardo do Campo, SP
50.  Djalma de Angatuba
51.  Donizete Wiek – Salto,SP
52.  Ederaldo Batista – Guarulhos, SP
53.  Edilaine Ferreira dos Santos – Garça, SP
54.  Edson de Carvalho – Salto,SP
55.  Edson Leite Diniz – Salto,SP
56.  EdsonMaciel  - Araçatuba,SP                      
57.  Edvaldo de Andrade – São Bernardo do Campo, SP
58.  Edvaldo Vieira – Guarulhos, SP
59.  Ednir Ramos – Teófilo Otoni – MG.
60.  Eliandra Regina Soleiro – Araçatuba, SP
61.  Eliane Rodrigues de Oliveira - Araçatuba,SP  
62.  Elizabeth dos Santos Martins - Araçatuba,SP            
63.  Eric Nunes de Souza – Guarulhos, SP
64.  Erica Lima de S. Costa – Carapicuíba,SP
65.  Eunice Calixto – Garça, SP – Garça, SP
66.  Evellyn Almeida – São Bernardo do Campo, SP
67.  Everton GuedesJ. de Deus – Guarulhos, SP
68.  Felipe Borges – São Bernardo do Campo, SP
69.  Fernando da S. Magalhaes – São Bernardo do Campo, SP
70.  Fernando Sansana, Capital SP;
71.  Firmo Alves Cruz – São Bernardo do Campo, SP
72.  Francisco Roberto de Souza – Jaguaruana – CE
73.  Gelia Aissa – Castilho, SP
74.  Geni Soares da Silva – Castilho, SP
75.  Genivaldo de Souza Almeida – Salto,SP
76.  Getúlio de Mauá
77.  Gildete Capato – Salto,SP
78.  Guilherme Augusto Lima das Neves – SBC, S.P.
79.  Helena Maria Veríssimo - Araçatuba,SP     
80.  Hermeson dos Santos Fé – São Bernardo do Campo, SP
81.  Ismael Luciano - Araçatuba,SP                
82.  Izaias de Oliveira Silva  – Itanhaém, SP
83.  Jardel Josias Palermo – São Bernardo do Campo, SP
84.  Jefferson Luis G. Rodrigues - Araçatuba,SP      
85.  Jefferson Nunes de C. Guimaraes – Garça, SP
86.  Jessica Sapanhos Moreira – Mauá, SP
87.  Jõao Bosco – São Bernardo do Campo, SP
88.  João Joaquim da Silva – Osasco, SP
89.  Joao Sapanos – Mauá, SP
90.  Jose Antonio de Araujo – Salto,SP
91.  Jose Antonio Giobom – Salto,SP
92.  Jose Carlos do Nascimento – Pracinha, SP
93.  Jose de Jesus Costa – Osasco,SP
94.  Jose Irinel – São Bernardo do Campo, SP
95.  Jose Nunes dos Santos - Araçatuba,SP  
96.  Jose Reinaldo dos Santos – São Bernardo do Campo, SP
97.  Jose Silvano de S.  Lima - Araçatuba,SP  
98.  Josineide das Neves Lima – São Bernardo do Campo, SP
99.  Josué Lopes Viana - Araçatuba,SP                
100.     Josué Lopes Viana fº - - Araçatuba,SP            
101.     Judite Arcanjo de Souza – São Bernardo do Campo, SP
102.     Juliana da Penha D. Rodrigues – Guarulhos,SP
103.     Julio Cesar Marciano – Salto,SP
104.     Junior Aparecido Moreira - Nova Guataporanga, SP
105.     Jurandir José dos Santos – São Bernardo do Campo, SP
106.     Karina Vasconcelos A. de Brito – Guarulhos, SP
107.     Katiucya C. da Silva – São Bernardo do Campo, SP
108.     Laurice dos Santos – Pracinha, SP
109.     Leandro Recife – São Bernardo do Campo, SP
110.     Lindomar Federighi – S. J. do Rio Preto
111.     Lino Fernando Lorenzo – Pracinha, SP
112.     Luana Barbosa Francelin – Garça, SP
113.     Luciana André da Silva – São Carlos,SP
114.     Ludmila Cristian Gazzo  – Itanhaém, SP
115.     Luiz Carlos Francelin – Garça, SP
116.     Luiz Gonzaga – São Bernardo do Campo, SP
117.     Luzia Taquel Roveri – Salto,SP
118.     Magali Aparecida Batista – Guarulhos, SP
119.     Marçal Magalhaes de Souza – Salto,SP
120.     Marcos Boer - Araçatuba,SP                
121.     Marcos Cesar – São Bernardo do Campo, SP
122.     Marcos Roberto de Sena -  Nova Guataporanga, SP
123.     Maria do Socorro de Carvalho - Santa  Rosa, PI
124.     Maria Alcione Azevedo- Diadema, SP
125.     Maria Custodia – São Bernardo do Campo, SP
126.     Maria da C. Oliveira – São Bernardo do Campo, SP
127.     Maria das Garças – São Bernardo do Campo, SP
128.     Maria de Jesus Pereira – São Bernardo do Campo, SP
129.     Maria de L. Delmondes - São Bernardo do Campo, SP
130.     Maria de Lourdes de Souza – São Bernardo do Campo, SP
131.     Maria Devanir (Wanda) – São Bernardo do Campo, SP
132.     Maria Irene Palermo – São Bernardo do Campo, SP
133.     Maria Lucia Xavier Oliveira – Guarulhos, SP
134.     Maria Rita dos Santos – São Bernardo do Campo, SP
135.     Maria Tereza Lozano Zizza – Guarulhos, SP
136.     Marly Penalva Campos – Birigui, SP 
137.     Mauro Cesar S. de Oliveira – Guarulhos, SP
138.     Mauro Moreira Gomes – Pracinha, SP
139.     Maxiliano Rosa da Silva – São Bernardo do Campo, SP
140.     Miguel Ferreira dos Santos – Pracinha, SP
141.     Moacir Rogerio – São Bernardo do Campo, SP
142.     Moacyr Americo da Silva  – Itanhaém, SP
143.     Nayara Navaro – São Bernardo do Campo, SP
144.     Neide Regis Lima dos Santos – Guarulhos, SP
145.     Nivaldo Borges Vicente – Guarulhos, SP
146.     Odair Roberto da Silva – São Bernardo do Campo, SP
147.     Odete Teixeira Dias Gomes – Pracinha, SP
148.     Olindino Santos Silva – Guarulhos, SP
149.     Onilia Elida Batista – Garça, SP
150.     Osman Martiniano de Souza – Guarulhos, SP
151.     Ozani Martiniano de Souza – Guarulhos, SP
152.     Pamela dos Reis Paes Bicudo– Salto,SP
153.     Paulinha Santos -Hortolândia/Montemor
154.     Paulo Jose das Neves – São Bernardo do Campo, SP
155.     Paulo Salinas Ramos -  Nova Guataporanga, SP
156.     Pedro Messias Lopes – Guarulhos, SP
157.     Rafael Bonfim Monguini -  Nova Guataporanga, SP
158.     Raniel Santos Ferreira – São Bernardo do Campo, SP
159.     Rafael Straiotton Mindin - Araçatuba,SP  
160.     Raimunda Diniz – São Bernardo do Campo, SP
161.     Raimundo Fé – São Bernardo do Campo, SP
162.     Reginaldo Pignatari – Guarulhos, SP
163.     Ricardo Antonio Marcusso – Carapicuíba, SP
164.     Rinaldo de Oliveira – Salto,SP
165.     Riquembergue Medeiros da Silva – Guarulhos, SP
166.     Rita de Cassia Sapanos dos Santos – Mauá, SP
167.     Rita Leite Diniz – Salto,SP
168.     Roberto Caetano  – Itanhaém, SP
169.     Roberto Costa Coelho – Guarulhos, SP
170.     Roberto Leite de Carvalho – Guarulhos, SP
171.     Rodolfo Jose Andrello - Araçatuba,SP  
172.     Rodrigo Batista da Paz – Guarulhos, SP
173.     Rodrigo Gomes de Oliveira – Pracinha, SP
174.     Rogério Tadeu B. Romano – Guarulhos, SP
175.     Ronald Augusto Silva – Carapicuíba, SP
176.     Rosa Nobuco Maeda – São Bernardo do Campo, SP
177.     Rosa Nobuko -  Mogi das Cruzes,SP
178.     Rosana Martinano de Souza – Guarulhos, SP
179.     Rosangela Sapanos de Carvalho – Mauá, SP
180.     Rosely da Silva Barros – Castilho, SP
181.     Rute B. Ferreira de Sous - Araçatuba,SP            
182.     Sandro Aparecido Nunes – Carapicuíba, SP
183.     Sandro Cervantes – São Bernardo do Campo, SP
184.     Simone Pereira – São Bernardo do Campo, SP
185.     Solon Gama- Caculé, BA
186.     Soraya Gomes Vasconcellos – Guarulhos, SP
187.     Stephanie Ap. Reges dos Santos – Guarulhos, SP
188.     Tatiana Palmieri de Almeida – Salto,SP
189.     Tereza Sapanhos Moreira – Mauá, SP
190.     Thais Cristina M. Gomes Silva – Pracinha, SP
191.     Thiago Gomes – São Bernardo do Campo, SP
192.     Thiago Rosberg da Cruz Oliveira – Guarulhos, SP
193.     Toninho de Angatuba – Angatuba, S.P.
194.     Valmir Marini – Garça, SP
195.     Vânia Elisa – Mauá, SP
196.     Venícios Batista Machado – Garça, SP
197.     Vera Lucia de Lima – São Bernardo do Campo, SP
198.     Vera Lúcia Ma. da S. Requenha - Araçatuba,SP  
199.     Vera Lúcia Martines - Araçatuba,SP  
200.     Walmir Ricardo Fontenha – Salto,SP
201.     Weliton Luiz da Silva -  Nova Guataporanga, SP
202.     Wilson Roberto Batista – Garça, SP
203.     Zilde de Moura - Piauí

 
Contatos:
Aldo Santos – Executiva Nacional -  e-mail: aldosantos@terra.com.br
Leandro Recife – Diretório Nacional – e:mail: recifepsol@gmail.com
Ederaldo – Diretório Estadual São Paulo – e-mail: ederaldo@apeoesp.org.br